Acho que o Brasil é resultado
desta situação, neste caso, de uma cartada internacional. Houve uma
movimentação geopolítica, um rearranjo de forças no plano mundial, e nós
estamos sofrendo estamos as consequências. Este golpe é para equilibrar o
hegemonismo norte-americano. Nós estamos à beira, e nos encaminhamos para uma
guerra na América do Sul. Esta história de que não há plano não me convence. O
Brasil é importante demais para que não há já planos. Os planos estão bem
assentados, bem fundamentados, estruturados, neste longo tempo. Não existe
coordenação, um cara doidão que diz uma coisa aqui. Conversa. Nada disto. A
assessoria, o domínio, é de pessoas altamente especializadas. Oficiais do
Estado Maior. Juristas preparados na Escola de Washington. No Golpe de 1964,
quando eu tinha 14 anos. A Escola do Panamá. A escola foi fechada. Não há
industrialização de cabeças militares no Panamá. Há agora a industrialização de
cabeças jurídicas em Washington. Estes palhaços que estão aí se metendo a
inovação moral brasileira são todos formados nesta escola de Washington. Isto
já está evidente. Ninguém fala, mas deve ser falado. Nós estamos em um buraco.
Nós estamos numa.... Vão vender a Amazônia mesmo. O plano é este. O plano é
tomar a riqueza petrolífera da Venezuela, uma das maiores riquezas do mundo. O
plano é privatizar o Banco do Brasil. O plano é acabar com a liberdade. O plano
é voltar a hegemonia norte-americana. Aí eu entro na minha preocupação. Para
surpresa minha, eis que um mundo enferrujado de ideias, um mundo meio
carcomido, meio toupeira. Este mundo é o meu mundo, o mundo acadêmico. Quanto
mais eu vivi no mundo acadêmico, mais eu me espantei com a estupidez que tomava
conta. Eu dirigi durante quatro anos o CNPq. Durante quatro anos eu fui do
Conselho Superior da CAPES, e nunca vi um amontoado tão grande de doutores,
altos doutores, até se intitulando pós-doutores, inventando este besteirol de
pós-doutores, arrotando imbecilidade. Arrotando egoísmo. Arrotando o que havia
de pior. Pois que agora está surgindo agora neste meio uma ponta de lança da
rebeldia contra o fascismo porque é o que escuto (agora) diariamente, inclusive
os mais reacionários. Todos estão animados, inquietos, preocupados em defender
a liberdade. Eu vim aqui porque o Brasil está no buraco, e porque eu acho que a
Universidade Pública Brasileira está se credenciando como porta-voz desta reação
ao fascismo. Agora se este movimento sindical, a ANDES, entidade da qual eu cansei
há muito tempo, dirigi greves nacionais, como deputado federal, ao lado Florestan
Fernandes, negociei greves com um entidade com uma entidade que era atroz para
o movimento, completamente isolada da massa de intelectuais e profissionais do
Brasil. Pois bem, acho que é necessário, estas direções sindicais do Brasil
todo atentarem que pode cumprir a Universidade brasileira neste quadro de
calamidade do ponto de vista das Instituições. O Brasil está à deriva, está
entrando num buraco, nós estamos entrando em uma guerra na América Latina. Esta
turma que está assumindo é serviçal, é lacaia do imperialismo norte-americano.
É preciso reagir. Reagir com firmeza. Brasil olhe o exemplo do Nordeste.
Nordeste olhe o exemplo do Piauí. Nós estamos resistindo aqui e que o movimento
de professores não perca o passo. Nós temos que cumprir o papel social. A
universidade está reagindo. São trinta universidades invadidas. Os reacionários
das universidades serão nossos aliados nesta história. Só hoje eu recebi três
telefonemas de meus colegas conservadores da USP querendo escrever comigo um
livro para denunciar este esquema militar de dominação. Os caras todos
reacionários. Os caras com quem briguei este tempo todo. Manoel vamos agora
escrever, vamos denunciar (estes que serão) futuros executores do Porão. . É isto vamos preparar a Universidade para a
Resistência.

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