domingo, 11 de novembro de 2018

Fórum ADUFPI - fala do prof. Manoel Domingos


Acho que o Brasil é resultado desta situação, neste caso, de uma cartada internacional. Houve uma movimentação geopolítica, um rearranjo de forças no plano mundial, e nós estamos sofrendo estamos as consequências. Este golpe é para equilibrar o hegemonismo norte-americano. Nós estamos à beira, e nos encaminhamos para uma guerra na América do Sul. Esta história de que não há plano não me convence. O Brasil é importante demais para que não há já planos. Os planos estão bem assentados, bem fundamentados, estruturados, neste longo tempo. Não existe coordenação, um cara doidão que diz uma coisa aqui. Conversa. Nada disto. A assessoria, o domínio, é de pessoas altamente especializadas. Oficiais do Estado Maior. Juristas preparados na Escola de Washington. No Golpe de 1964, quando eu tinha 14 anos. A Escola do Panamá. A escola foi fechada. Não há industrialização de cabeças militares no Panamá. Há agora a industrialização de cabeças jurídicas em Washington. Estes palhaços que estão aí se metendo a inovação moral brasileira são todos formados nesta escola de Washington. Isto já está evidente. Ninguém fala, mas deve ser falado. Nós estamos em um buraco. Nós estamos numa.... Vão vender a Amazônia mesmo. O plano é este. O plano é tomar a riqueza petrolífera da Venezuela, uma das maiores riquezas do mundo. O plano é privatizar o Banco do Brasil. O plano é acabar com a liberdade. O plano é voltar a hegemonia norte-americana. Aí eu entro na minha preocupação. Para surpresa minha, eis que um mundo enferrujado de ideias, um mundo meio carcomido, meio toupeira. Este mundo é o meu mundo, o mundo acadêmico. Quanto mais eu vivi no mundo acadêmico, mais eu me espantei com a estupidez que tomava conta. Eu dirigi durante quatro anos o CNPq. Durante quatro anos eu fui do Conselho Superior da CAPES, e nunca vi um amontoado tão grande de doutores, altos doutores, até se intitulando pós-doutores, inventando este besteirol de pós-doutores, arrotando imbecilidade. Arrotando egoísmo. Arrotando o que havia de pior. Pois que agora está surgindo agora neste meio uma ponta de lança da rebeldia contra o fascismo porque é o que escuto (agora) diariamente, inclusive os mais reacionários. Todos estão animados, inquietos, preocupados em defender a liberdade. Eu vim aqui porque o Brasil está no buraco, e porque eu acho que a Universidade Pública Brasileira está se credenciando como porta-voz desta reação ao fascismo. Agora se este movimento sindical, a ANDES, entidade da qual eu cansei há muito tempo, dirigi greves nacionais, como deputado federal, ao lado Florestan Fernandes, negociei greves com um entidade com uma entidade que era atroz para o movimento, completamente isolada da massa de intelectuais e profissionais do Brasil. Pois bem, acho que é necessário, estas direções sindicais do Brasil todo atentarem que pode cumprir a Universidade brasileira neste quadro de calamidade do ponto de vista das Instituições. O Brasil está à deriva, está entrando num buraco, nós estamos entrando em uma guerra na América Latina. Esta turma que está assumindo é serviçal, é lacaia do imperialismo norte-americano. É preciso reagir. Reagir com firmeza. Brasil olhe o exemplo do Nordeste. Nordeste olhe o exemplo do Piauí. Nós estamos resistindo aqui e que o movimento de professores não perca o passo. Nós temos que cumprir o papel social. A universidade está reagindo. São trinta universidades invadidas. Os reacionários das universidades serão nossos aliados nesta história. Só hoje eu recebi três telefonemas de meus colegas conservadores da USP querendo escrever comigo um livro para denunciar este esquema militar de dominação. Os caras todos reacionários. Os caras com quem briguei este tempo todo. Manoel vamos agora escrever, vamos denunciar (estes que serão) futuros executores do Porão. . É isto vamos preparar a Universidade para a Resistência.


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