quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Lula diante dos operadores da (In)justiça


Lula apresentou-se, embora afirme a confiança na Justiça, como quem não confia mais nos operadores da Justiça que atuam na promotoria e no juízo, algo diferente do que vimos até algum tempo atrás, quando havia ainda réstia (ou mais) de esperança no apego à verdade destes atores.
Lula fez algumas afirmações que são chocantes, e que serão ainda mais chocantes à medida que se tornarem aspectos da História do Brasil, e para os quais precisamos estar atentos.
Lula relata de quando um jurista, no início das acusações da ação do tríplex, detalhava que não havia motivo para se preocupar porque não havia a menor chance de aquilo prosperar, por absoluta, além de falta de verdade, de consistência dos argumentos apresentados. O que vimos posteriormente, a despeito de toda inconsistência e alienação dos argumentos apresentados nas acusações, e ainda da farta quantidade de prova em contrário, provas da inocência de Lula, contrastante com a ausência de provas contra Lula, foi que foi condenado, e ainda pior, teve sua pena esdruxulamente aumentada na segunda instância, fazendo-nos testemunhar escândalo que encontra só similitude com a votação do impeachment da presidenta Dilma na Câmara dos Deputados, dado o quadro ridículo. Na época, lembro que Lula recebeu telefonemas de juristas e analistas que, ao contrário, explicavam a Lula que a Justiça no Brasil tem uma dinâmica que já o condenara antes mesmo de ele se tornar réu, ao que Lula respondia que não havia o que temer porque era inocente. Isto está patente em gravações de telefonemas divulgados posteriormente pelo juiz (político) Moro. Ontem, Lula apresentou-se como não mais confiante na operação da Justiça, embora ainda confie na Justiça (Divina e Histórica).
Lula, também de forma inédita ao que sei, ou ao menos rara, descreve o que faria se pudesse ao tempo das acusações dos procuradores no episódio do PowerPoint. Lula explica que deveria ter, à época, estimulado os militantes e todas as diretorias do PT a entrarem com representações em busca de Justiça quando o PT foi acusado de ser uma quadrilha, já que isto foi ataque à honra do Partido e da militância passível de demanda de reparo através da Justiça. Aqui Lula demonstra que já não confia nos operadores da Lei (da Justiça). Esta fala foi quase como um pedido de socorro. O grito de um náufrago na vastidão do oceano, ainda vivo, mas sob intensa tensão. Algo também incomum quando nos referimos a Lula.
Lula explica, novamente, à Juíza, como já fizera antes ao juízo de Moro, que não havia alternativa a condená-lo, dado as circunstâncias que se estruturam na ação penal sobre mentiras e mais mentiras, umas sustentadas pelas outras.
Lula falou não para a Justiça, em uma defesa na ação penal, mas falou para a História. O tom mais potente, o “desafio” à autoridade da juíza, e até mesmo a acusação que Lula fez diretamente, e à qual a Juíza reagiu veementemente, é de quem sabe que não pode confiar naqueles operadores. O tom é de quem agora precisa explicar, e deixar registrado, para a História, que embora espere testemunhar em vida, não tem certeza mais disto, e registra assim mesmo para a posteridade. Lula fala não mais para seus filhos, mas a seus netos, ou mesmo bisnetos, nesta Nação. Olha nos olhos do povo brasileiro do futuro, embora não tenha abandonado os do presente, porque entende que tem um compromisso com a esperança, e não só com a esperança agora, mas com a esperança em qualquer tempo.
Lula falou que estava cansado, que aos 73 anos, com tiros e tiros que atingiam o mesmo ponto de sua couraça, embora não os tivesse matado, machucaram-no. Lula relata que faz esforço homérico para manter o humor. Fala que se esforça para não deixar o ódio penetrar em sua alma. Embora a pergunta, de todo aquele que sofre de injustiça, elevada aos céus: “Pai, por que me abandonas-te?”, tenha sido já entoada por Lula, esforça-se para agir segundo sua consciência e fé.
Em determinado momento, em um "afasta de mim este cálice!", Lula pede a um de seus advogados, que ao se despedir de todos ao sair desejando um feliz feriado, que "me leva com você!", e repete "me leva com você!". Não foi uma brincadeira, foi um pedido de socorro.
Fui dormir, nesta quarta-feira, 14 de novembro de 2018, com um pesar no coração, e pedindo internamente desculpas a Lula. Ele não merece está assim disposto sobre a pedra fria do altar pagão do sacrifício a falsos deuses.

Nenhum comentário:

Postar um comentário